Antirretratos


    Antirretratos é uma série de desenhos em nanquim sobre papéis e cadernos de diferentes tamanhos. Surgiu em 2014 com o encontro fortuito de um pote de nanquim Talens de meio litro. A série tem como tema principal a representação esquiva do busto humano. Este funciona como recipiente e suporte, receptor e emissor de emoções e sentimentos. Os traços que poderiam definir rasgos característicos de determinada pessoa são evitados, expandidos ou distorcidos para tentar criar atmosferas e sensações. A representação pode estar no lugar do ser segundo os traços que definem sua fisionomia particular, mas neste caso ela se dá nas possibilidades de seus deslocamentos espaciais e temporais, nos movimentos do traço nas paisagens internas do eu. 


Antirretratos.3
Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti - Florianópolis 06/2016 - Desenhos de 210x100cm (em 3 folhas)



Antirretratos.4
De 16/07 a 27/08/2016, Instituto Internacional Juarez Machado, Joinville, SC - Curadoria Myrine Vlavianos



Antirretratos.2
De 05/05 a 19/06/2016 Museu de Arte de Blumenau, SC, Barasil


Antirretratos.1
Espaço W, Ribeirão Preto, SP, Março 2015.
Desenhos em nanquim sobre papel, tamanhos 30x42cm, 70x50cm e 96x64cm e livro de artista 38x30x4cm, 444 páginas.




07/02 a 22/03/2019 – Galeria de arte do Sesc Joinville SC
04/04 a 24/05/2019 – Galeria de arte do Sesc Joaçaba  SC
06/06 a 12/07/2019 – Fundação Cultural Badesc, Florianópolis SC
05/03 a 31/03.2020 – Galeria Municipal de Navegante SC


Desenhos Contemporâneos
Curadoria: Anna Moraes

Sinopse:

A Exposição “Contemporâneos” de Diego de los Campos, com curadoria de Anna Moraes, apresenta aguadas de nanquim sobre papéis que compõem os cinco desenhos da série. Desdobramento de trabalhos anteriores, esta série apresenta formas mais imprecisas que jogam com dualidades e se encontram em um meio-termo de desenho-pintura, traço-mancha, forma-fundo e retrato-paisagem. Além disso, os desenhos interrogam questões do ser contemporâneo e da sociedade atual – tema não só recorrente, mas habitual na produção do artista.



Texto de Parede

É no entre-lugar do disforme, do informe e do não-eu que se encontra a série de desenhos “Contemporâneos” de Diego de los Campos. Fronteiras se dissolvem em aguadas de nanquim enquanto traços consistentes escorrem na tentativa de dar forma ao informe da forma. Algo entre pintura e desenho, entre traço e mancha, entre figura e fundo, entre a forma e o nada. Um campo incerto e impreciso, indeterminado e desconcertante.

Se em Antirretratos1 Diego apresentava uma forma humanoide, um humano não humano, em que se evidenciava a questão do retrato, sua atual série estaria situada em um meio termo entre retrato e paisagem. Reflexões de um possível estado de espirito, um estado de ânimo, um retrato de uma paisagem interior ou a paisagem de um retrato. Um interior-exterior fantasmagórico de algo que é e não é na medida que se apresenta.

Diego de los Campos é um artista de ironias e paradoxos: suas obras não cessam de estabelecer relações, desvendar e articular questões sobre a sociedade e o ser contemporâneo. E em que consistiria este ser?

Em sentimentos sobre nanquim, sobre papel, sobre parede, sobre cimentos, sobre a terra violentada por nós que por fim nela vivemos, o ser-criatura-objeto-paisagem de Diego opera talvez como o Odradek2 de Kafka: o ser sem forma, impossível de descrever mas que ainda existe; ou o ser que, na tentativa de fugir de si acaba por ensaiar metamorfoses, encerrando qualquer tentativa de definição e apreensão onde cada detalhe engana a forma na aproximação.

Talvez, esta série de desenhos denuncie o ser que exista na medida de sua inexistência: tentativas de humanizar o ser contemporâneo na medida da sua desumanização progressiva e constante. É preciso se aproximar e tomar distância, alcançar e se afastar da forma, que, quanto mais se tenta apreender, mais se torna fluida, escorre, derrete, acidifica e corrói qualquer estrutura ou condição.

Anna Moraes

1 Série de trabalhos anteriores do artista.
2 Do texto “Tribulações de um pai de família” de Kafka.1966