Recortes do Inferno
Performance - vídeo - objetos sonoros - instrumentos - oficinas - 2021 in Progress

Descrição
Recortes do inferno tem como linha constitutiva fundamental o uso de trechos de discursos proferidos por autoridades públicas representantes da escalada da extrema direita e do fundamentalismo religioso no passado recente do Brasil. Estes áudios apropriados de Internet, são executados de forma parcial ou total, acompanhados de batidas e sons de sintetizadores, criando ritmos, ambiências sonoras e ruídos. O trabalho pode ser apresentado como performance, objeto sonoro, vídeo ou música.

A apresentação se dá de forma similar à de um DJ com duração de até 30 minutos. Para isso foi elaborado um set de instrumentos musicais originais feitos com Arduino e uma mesa que dá o suporte técnico para a execução e mixagem do som em tempo real.







+vídeos:
https://youtu.be/tOdQeGKRQY0?si=HJDwZ0rmtegWGm1d
https://youtu.be/XcpD9QX7gZY?si=ofJGMdUnHfpChjWC
https://youtu.be/S2kGif33el4?si=XM9nV_Boi1cKxrl5
https://youtu.be/XOtT7D0ObPk?si=bJmvd5nLQG0lrlnm

https://youtu.be/sN7wNU1i7oI?si=VNNLEiODF3r90ucR



Subjetivo
Passamos por tempos sombrios. O fim do discreto projeto de estado de bem estar social foi marcado por uma crise política, económica, social e estética. Pela “ponte para o futuro” pós golpe de 2016 passaram os dinossauros. Para piorar a situação, uma pandemia assolou o mundo, especialmente o Brasil, onde um governo de perfil obscurantista foi incapaz de mostrar qualquer atitude que enfrente a crise sanitária de forma científica ou humanitária. Milhares de mortes poderiam ter sido evitadas.

Apresentações
2025 - Entremostras - Fundação cultural Badesc - Florianópolis
2025 - Exposição “Furia Fardo” - Centro cultural Veras - Florianópolis


Desdobramentos

Sobre Dissonância Cognitiva
2025, madeira, papelão, pneu, altofalante, servomotor, Arduino, Dim 35x75x135cm.
O servomotor levanta e faz descer uma mão de papelão que cobre a lanterna de um celular de madeira produzindo o sinal S.O.S. em clave morse. Exposto no Centro cultural Veras na Exposição Fardo-Fúria com curadoria de Josué Mattos. Captação de vídeo: Leandro Lopes de Souza





Abjector Br
2021, madeira, papelão, Arduíno, módulo micro SD, amplificador 3w e altifalante, 20x25x15cm


Participação de Alejandro Ahmed



Participação de Fernando Velazquez



Processo
A ideia de Recortes do Inferno partiu de um desejo de processar a constante escuta de sons abjetos, frases absurdas de ideias retrógradas e retrotópicas, que ecoavam mentalmente como um poema dadaista, causando simultaneamente deslumbramento, indignação e encanto mórbido, e que pediam para serem sintetizados,de forma de expor seu cerne ridículo. Para operar esse caldo nefasto decidi criar um um sistema algorítmico que masticasse esse arquivo sonoro infernal na lógica do milissegundo e do lance de dados digital.

Aproximadamente 200 arquivos foram metodicamente coletados na prática do que parecia ser uma arqueologia digital, escavando entre os resíduos tóxicos deixados recentemente na lixeira da história.

Instrumentos musicais foram construídos para editar e expor esses arquivos,manipulados por sensores que, imitando o Diabo (que no nono círculo do inferno retratado por Dante, mastiga os traidores), recitam entre frenéticas mordidas algorítmicas os sempre novos versos feitos a partir desse caldo efervescente de dados. Esses instrumentos, recortam e embaralham frases, como por exemplo: “Eu vi Jesus se aproximando do pé de goiaba”, “Pesava sete arrobas”, “A vacina vai começar no dia D, na hora H”, “Pelo meu histórico de atleta”, “E em aquele pé de goiaba acontece um milagre”, “Eu sou Messias, mas não faço milagre”, “Não era bom quando a gente cantava isso?”, “A exemplo de uma mulher, uma conge”, “Tem que deixar de ser um país de maricas”, “Enraizada na nobreza de nossos mitos fundantes”, “Você tem plantações extensivas de maconha nalgumas universidades”, “E se você virar um jacaré, é problema de você”, etc. O resultado é uma sinfonia irónica e macabra, que vai do rido ao ritmo, do ininteligível ao sabido e do anónimo à autoria.


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